sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Honduras, golpe e o partido da imprensa golpista


Através do Twitter, respondi à colega Helena Palmquist, talvez até acidamente, se ela realmente estava surpresa com a abordagem pró-golpe dada pela imprensa nacional ao caso de Honduras. Afinal, uma imprensa que, aberta ou veladamente apoiou o golpe militar de 64 no Brasil e, mais recentemente, declarou esta mesma ditadura como ditabranda, não poderia ter atuação diferente.

No caso em questão, devemos lembrar as condicionantes: Zelaya é de origem rica, tendo sido eleito por um partido de direita, e ao assumir ao poder deu uma guinada à esquerda; pediu desculpas a Fidel por Honduras ter servido de base ao movimento anti-castrista; após ter sido deposto, procurou asilo na Nicarágua; foi apoiado por Chávez em sua tentativa de retornar ao poder; e por último, mas não menos importante, procurou refúgio na embaixada brasileira. Estes componentes fazem com que a imprensa golpista crie uma identidade enorme com Micheletti, que acusa Zelaya de traidor. E que fique claro: traidor da elite hondurenha.

A acusação estapafúrdia de que a política externa brasileira está tumultuando o processo democrático do país, pois a democracia seguia seu curso com eleições marcadas, é tão cínica quanto o eufemismo criado: governo de fato.

Zelaya não combinou com a diplomacia brasileira que se refugiaria em nossa embaixada em Tegucigalpa, como tem feito questão de declarar, tanto o próprio Zelaya, quanto o ministro Celso Amorim. O Brasil, por não reconhecer o governo golpista, não está abrigando um foragido, mas sim o presidente eleito democraticamente de um país. Aliás, nenhum país do mundo reconhece este governo.

A atitude do Brasil tem sido a correta, e o país foi escolhido por Zelaya pela representatividade e respeito que dispõe. As acusações de um golpista não podem ser tomadas como verdade, e é uma vergonha que a imprensa brasileira tome esta postura de forma casuística. A toma porque é o governo brasileiro, o governo Lula. Se Zelaya estivesse na embaixada da Lituânia, estaria dando vivas ao governo Lituano.

3 comentários:

Carla disse...

Golpe militar não pode mais haver nem na América Latina nem em nenhum lugar do mundo.
Os argumentos utilizados contra Zelaya são absurdos e vergonhosos! Tudo bem que a reeleição é vetada pela Constituição daquele país, mas usar isso como argumento para um golpe militar em pleno século 21, aí já é demais!
Pela primeira vez sinto um pequenino apoio surgir em mim à favor do Lula.

Allan disse...

Muito boa tua análise Levi. Compartilho da mesma opinião sobre a cobertura da imprensa tupiniquin no caso Honduras. Ah, antes de encerrar quero dizer que a qualidade do blog tá legal. Parabéns e mande brasa nas pautas.

Anônimo disse...

Caríssimo Levy,
Em uma frase do Paulo Henrique Amorim se resume a questão relativa à nossa grande imprensa:" Como a OEA não lê o PIG, ficou a favor da iniciativa do governo brasileiro" e fim de papo.